sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Rede Social, ou melhor, como enganar um brasileiro

     Como já tive a oportunidade de ver o filme The Social Network enquanto estou na terra do Tio Sam, resolvi postar minhas impressões enquanto ele ainda não entra em cartaz no Brasil. Para mim, como brasileira, o mais bacana em assistir A Rede Social é descobrir que o cara que "criou" o Facebook ao lado de Mark Zuckerberg é um conterrâneo tupiniquim. Apesar de ser brasileiro, que sempre leva a fama de Zé Carioca, "rei da malandragem", o paulistano Eduardo Saverin foi passado para trás por um gringo, e pior, seu melhor amigo, Zuckerberg.
     Saverin nasceu em Sampa e mudou-se para Miami ainda menino. De família rica, o cara foi novinho para Harvard, onde conheceu Mark Zuckerberg, que viria a se tornar seu melhor amigo - os dois tem a mesma origem judia. A parceria entre eles no projeto do Facebook teria ocorrido quando Zuckerberg resolveu criar a Rede Social (de início, para ser usada apenas entre os alunos de Harvard) e pediu ao amigo que entrasse com a grana. Saverin, mesmo ainda novato em Harvard, já sabia fazer negócios, investir em ações e tinha um dinheiro guardado.

Eduardo Saverin (Andrew Garfield ) e Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg)

     No filme, uma adaptação do livro Bilionários Acidentais, do jornalista Ben Mezrich (o mesmo autor de Quebrando a Banca), Mark Zuckerberg se mostra o típico nerd tentando alcançar "status social". O longa já começa nesse clima geek, pois enquanto os créditos de abertura rolam, a música Creep, do Radiohead, toca alta por um coral de crianças. Enquanto isso, aparecem imagens aleatórias de alguém fuçando no Facebook, olhando fotos, postando comentários, checando o status de relacionamento alheio... Mesmo estando longe de ser uma geek, não nego que dá uma emoçãozinha aquela música de dor-de-corno-depressivo rolando enquanto revela-se a realidade dos jovens que vivenciam esse mundo virtual.
     Ainda mais sendo brasileira, né. Para minha surpresa, nós lideramos muita pesquisa quando o assunto é Internet. Por exemplo, tirando as piadinhas como #boladepapelfacts, #pliniofacts e #dilmao, o Twitter e outras redes tem conquistado um papel importante no debate político. Até fevereiro, última pesquisa que achei googlezando, o português era a terceira língua mais usada no Twitter (e chegou a ser a segunda). Num balanço geral, o Brasil fica entre os primeiros, quando não lidera,  no uso de redes sociais, como no caso do Orkut.

Crédito: Mídias Sociais Blog

     Mas voltando ao filme, A Rede Social mostra como com uma "simples" ideia pode mudar o mundo, ou de quebra, fazer você rico. Bem, no caso, uma ideia roubada. Quer dizer, nem tanto. Mark Zuckerberg é um gênio. Isso já se mostra no primeiro diálogo do cara com a namorada. Ele, ao meu ponto de vista, é aquele típico pentelho-inteligente. O cara é um crânio, mas tão crânio que não consegue aceitar nada que seja "menos" que ele, ou melhor, que vá de encontro ao que ele acredita. Quando ele leva um pé-na-bunda da namorada, resolve roubar as fotos de todas as alunas de Harvard, que estão em um banco online, e fazer um jogo de "qual é a mais bonita". É, enquanto você, mero mortal, toma uma birita para esquecer, o rapaz invade o sistema de uma das mais prestigiadas faculdades do mundo.
    Com isso, o jogo online faz o maior sucesso - e também traz problemas, lógico. Mas depois da confusão, três estudantes de uma daquelas fraternidades-tipicamente-americanas convidam ele para bolar uma rede social que reunisse os alunos de Harvard. Zuckerberg concorda em entrar no projeto, mas, na verdade, começa a criar sua própria empresa com o amigo brasileiro (que não sabe da proposta que Mark recebeu) enquanto enrola os caras da fraternidade.


     O negócio começa a crescer, é expandido para outras instituições e finalmente foi aberto para geral, como você conhece hoje. Só para nos sentirmos importantes, os caras até chegam a mencionar o Brasil, mas num tom de brincadeira, quando resolvem transferir a empresa de Massachusetts para o Vale do Silício. "Porque não vamos para o Brasil, então?", Zuckerberg sugere a Saverin. O longa se concentra no processo de criação, no início do Facebook, e como Zuckerberg teria sido influenciado por Shawn Fanning, criador do Napster, a expandir seu projeto. Essa nova amizade acaba tomando o lugar de Saverin - que, de início, era diretor executivo da Rede Social. 
     Apesar de ter passado o brasileiro para trás, o filme me deu a impressão de que Zuckerberg não era um pilantra de caráter, apenas se portava como um - talvez por ser frustrado em certas áreas. Afinal, o trabalho todo foi dele, e mesmo que a sementinha da ideia do Facebook tenha sido plantada por outros, era certo que em alguma hora ele iria criar algo inovador. Isso se o longa tiver alguma relação com a verdade, porque Mark Zuckerberg, logicamente, não concorda com os fatos apresentados na trama - o livro Bilionários Acidentais apoia-se, em boa parte, em entrevistas com Saverin e outras pessoas envolvidas.
     Só realço a ótima interpretação de Jesse Eisenberg, que me fez até boiar em certas horas naquele ritmo nerdístico de falar (vida de brasileira sem legenda não é fácil, bixo). O filme é ótimo, tirando talvez não respeitar algo que deveria definir o longa: quem tem um estilo-virtual-de-ser não aguenta ficar mais de duas horas na poltrona - a não ser que o roteiro seja muito, maravilhosamente, fora do comum. E por último, mas não menos importante: porque raios, afinal, vivem colocando o Justin Timberlake para interpretar?  


5 comentários:

Luciana A. disse...

gostei muito do filme e o jeito que o diretor abordou vários tópicos, como poder, dinheiro, interesse e ambição! mas o melhor de tudo foi o Jesse Eisenberg! hahahaha

quem me dera ter um desses com o jeito nerdistico de falar do meu lado!

Lu disse...

Bom, eu gostei da resenha que você fez do filme e adorei este bróguii! Você escreve de um jeito muito gostoso e, o que é melhor, escreve bem - raro para a blogosfera.
Posso ser abusada? O faz aí nos States?

P.S.: Achei um carinho seu recado no meu blog. Volte sempre, tá?
Beijo!

Cahe´s blog disse...

E depois o brasileiro é que não presta.
O cara tem a ideia e usa o dinheiro do outro pra se fazer e "não é um pilantra de caráter"? Fala sério Marii...

Se fosse o contrário, o latino já estaria sendo crucificado e processado por um dos advogados de Harvard.

Cahe is a Blogger

Mariana Dias disse...

Talvez eu tenha me expressado mal, o que quis dizer é que ele é um fraco, mas que suas atitudes poderiam mudar com o amadurecimento, ou seja, ele não pensa muito no que faz (mas não é pura maldade). Juro que não tô passando a mãe na cabeça do gringo, haha, mas é só o que o filme dá a entender...

Palavras Vagabundas disse...

Mari,não vi o filme, ms li uma matéria sobre o caso. Fiquei com vontade de ver.
abs carinhosos
Jussara